segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Um pouco sobre 64studio e audio no Linux

64studio é o nome de (mais) uma distribuição de Linux. E o que tem de especial? Esta distribuição é baseada em Debian e vocacionada para a produção de Audio. O Linux e a produção de audio tem vindo a ter uma relação estranha. Para começar, os fabricantes de hardware limitam-se a ignorar o pinguim. Tecnicamente, dentro do kernel, existem duas API's que vivem relativamente bem em conjunto. Isto porque no mundo Unix, já existiam especificações abertas[1] (OSS: Open Sound System) que a comunidade começou por implementar; Assim seria possível aproveitar alguns drivers já feitos para essa API. De realçar que a implementação do fabricante era, na altura, fechada. Recentemente foi aberta, no entanto sempre que pergunto a alguém se isso servirá para alguma coisa, repondem-me sempre que não! A razão deste não reside no facto da segunda API audio do Linux, a ALSA, ter vindo a crescer e continuará a ser usada como a API para audio do Linux. Note-se que para o resto dos '*nix' a libertação do código fonte da implementação oficial do OSS poderá ter implicações positivas... só que no caso do Linux (com ALSA) ou no Mac OS (com 'core audio') não haverá vantagens.

Retomando a parte dos fabrincantes; até à pouco tempo havia 2 grandes fabricantes em que se podia confiar: RME e M-Audio. Sendo fabricantes de alto gabarito não são para qualquer um, mas para audio profissional assentavam que nem uma luva. Hoje em dia, com as soluções firewire, fecharam-se em copas e deixaram-nos pendurados. Soma-se que a M-Audio foi comprada pela empresa mãe do Pro-Tools e "finito"... não íamos ficar à espera que eles fossem suportar a concorrência, não é???

Para os comuns mortais, a maioria das placas é suportada pelo esforço da comunidade! O problema, é que muitas das especificações não são conhecidas, o que leva à engenheria inversa, o que leva muito tempo, etc. As placas recentes da Creative (X-Fi) também não suportadas. Parece que não aprenderam com o ramo das placas gráficas onde a AMD forçou a libertação das especificações das placas da ATI...

Agora, o 64Studio. A instalação é em tudo igual à do Debian. Talvez a excepção seja o final, onde em vez de perguntar o que eu quero instalar, instale um gnome desktop e todas as aplicações de audio que eles consideram relevantes! Não me oponho a esta postura, afinal tem um fim específico. Já agora o alicerce vindo do Debian tem de nome etch, pelo que foi adicionado um repositório próprio de modo a cobrir os pacotes mais interessantes e menos actualizados do Debian.

Um promenor delicioso é que esta distribuição é voltada para processadores de 64bit (também suportam i386); É da maneira que volto a dar uso ao meu AMD Turion ;).

Depois de instalar encontrei aquilo que estava à espera! Em menos de nada estava pronto a gravar, misturar, editar,... o gnome ajuda na integração dos vários elementos e como está pensado para isso, rapidamente encontrei o painel de controlo do jack com as extensões de tempo real instaladas e prontinhas a correr! O audacity, ardour2 comportaram-se que foi um espectáculo ;)

Vou adoptar a distro? Para a edição de audio, sem dúvida que sim, mas vou ter que deixa-la numa partição para o resto. O facto de correr a 64bit nem sempre é bom, sobretudo quando à itens closed source que funcionam só a 32bit, como o flash (eu experimentei o workarund possível, ns...wrapper, mas não gostei muito: cabuum de vez em quando); É baseada em Debian Etch, e não quero estragar dependências só que estou habituado ao Debian testing (aka Lenny): Emacs 22, OpenOffice 2.2,...

Ao ser 64bit, não é muito interoperável com a versão do Debian que tenho (não basta fazer chroot do Debian) mas aquilo está muito veloz e por isso vou embarcar numa de: quero editar audio->reboot! O tempo dirá se vale a pena.

Por enquanto é tudo mas certamente mais coisas serão ditas aquando duma utilização mais profunda!



[1] - último parágrafo de http://4front-tech.com/hannublog/?p=7

terça-feira, 10 de julho de 2007

Em resposta a Jakob Nielsen

Recentemente, via slashdot, cheguei ao seguinte artigo. Como se pode ler no artigo, o autor sugere que a informação colocada na internet, nomeadamente, ao nível de blogs, deveria ser mais extensa e como tal, o próprio formato blog, curto por definição, não devia ser utilizado. Ora, obviamente que as minhas reflexões anteriores, não são artigos extensos, nem técnicos. São apenas pequenos relatos da minha experiência pessoal acompanhados de comentários.

O autor certamente tem razão no que respeita ao número de artigos, isto da gaussiana explica tudo... bom, quase tudo ;). Mas o que o autor pede é um anulamento da vox-populi! Nem todos somos técnicos; nem todos temos tempo para fazer extensas e detalhadas críticas, mas todos temos direito de expressão. A salvaguarda da qualidade, será feita pelo acaso. Não há volta a dar a isto! A não ser que se queira uma internet altamente regulada, onde para ter um espaço, só a um preço mais elevado que no mundo físico: o preço de submeter os artigos a autoridades supostamente competentes, onde estas aprovam (ou não) os conteúdos. Mas isso não é internet que conheço. Certamente que a internet será um gigante de informação cada vez maior. Essa informação trás um monte de entropia, mas não nos resta senão contribuir da forma que cada um ache melhor.

domingo, 8 de julho de 2007

Blogger

Venho reportar a experiência com o blogger. Quando ontem dei inicio a este blog, deparei-me com o novo método de alterar a aparência dos blogs aqui no blogger. Está mais simples para quem não sabe nada de html. Uma nova interface AJAX, permite ao estilo dos CMS, colocar determinados conteúdos em determinadas posições das páginas.

A crítica inicial vai de imeditato para o ponto "determinados conteúdos". Já começa a formatação de conteúdos. OK, é verdade que neste momento abarca todos ou quase todos, mas o facto é que limitam à partida o tipo de conteúdos e para além disso, a interface com o html está mais críptica que nunca! Ou seja, quem sai queimado é sobretudo o tipo que sabe html mas que agora vê os seus conhecimentos inutilizados devido à complexidade extra no código fonte da página necessária para a simplificação ao nível dos usuários menos informáticos.

O processo de actualização do asteniamental foi realmente muito bom, só tendo perdido a formatação do texto. A formatação da página ficou muito semelhante! Mas atenção porque eu só tinha criado coisas simples e nos locais "adequados": todo o conteúdo que eu tinha adicionado manualmente estava de acordo com a formatação proposta por eles (este é um argumento para justificar a pré-formatação que eles propõem).

Um bug (ou talvez não) que encontrei é que no tipo de conteúdo "html/javascript" (atenção que isto não contradiz o que disse à pouco sobre o tipo que sabe html, porque o containner só pode ser colocado em alguns lugares!), o editor aparece com os butões habituais mas estes não funcionam (pelo menos no firefox e no Galeon). De modo idêntico o bug está no editor do containner de texto.


Em conclusão:

  • acho que está melhor no sentido de mais simples para a generalidade dos utilizadores.
  • esta simplificação é também má pois adopta o paradigma que maximiza a frase "melhorar a experiência do utilizador". Digo , porque este novo paradigma informático não só é uma operação de marketing das grandes empresas (Microsoft, Apple, ...) como tende a formatar conteúdos e a limitar a criatividade dos utilizadores (por vezes se confude criatividade com criação de múltiplas peças com uma única fórmula em comum), não pede para se informarem de como funcionam as coisas na realidade mas sim para ignorar todos os detalhes técnicos...


Já agora um cheirinho da minha opinião sobre literacia digital: não basta dar uns toques, cada pessoa tem que conhecer as bases genéricas do funcionamento das máquinas. As máquinas são complicadas e se não as entendermos, teremos um grave problema nas mãos. Prova disso é o alto nível de disseminação de virus, spam, phishing, etc... As pessoas que estão por trás deste tipos de ataque sabem muito de informática e isto só pode ser combatido seriamente se os utilizadores souberem como funciona a máquina. Só depois disso terá consciência dos danos que as suas acções podem causar.

sábado, 7 de julho de 2007

MS Word 2007

Por estranho que pareça, sobretudo para quem já deu uma vista de olhos no asteniamental, vou inaugurar este blog com um artigo sobre uma peça de software proprietário. Durante o último trabalho que realizei para uma cadeira, tive oportunidade de explorar e experimentar este software e decidi que tinha de escrever o que pensava. Por isso decidi arrancar com este blog, uma vez que este tipo de reviews têm pouco que ver quer com a sociedade quer com filosofia (mais uma vez, ver asteniamental).

Passemos então à acção. O ambiente de teste é o seguinte: relatório final de um trabalho duma cadeira de âmbito científico (a saber: micro-electrónica). Como sempre o prazo é para ontem. A máquina de teste era dum colega meu! Que fique claro que eu não tenho (nem terei!) dito software instalado na minha máquina!

Primeiras impressões.

Ao olhar para a nova versão deste programa uma coisa salta à vista: a interface. Esta foi completamente alterada. Na minha opinião está muitíssimo melhor que as anteriores. Para pessoas com alguma dificuldade de adapção às novas tecnologias, esta vai ser um caos mas para quem tenha facilidades ou para quem agora vai começar... está muito bom. Porquê? Primeiro devem ter aberto qualquer coisa em MAC OS X e percebido que o azul e as sombras dão um ar agradável à coisa. Depois porque ao quebrar com a monotonia das antigas interfaces (File, Edit, Tools,...) e apresenta-las de um modo diferente trouxe uma lufada de ar fresco. Depois de habituado, está tudo facilmente acessível e com um aspecto descontraído. Quero já avisar que o facto do formato não ser retro-compatível é uma desgraça completa!

Segundas impressões e conclusão.

No contínuo acto da escrita do dito relatório uma pessoa capta melhorias na maneira de o bicho trabalhar com objectos externos (OLE): está tudo muito mais fluido. O editor de equações trabalha bastante bem (deixou de haver a habitual latência) assim como folhas de cáculo do Excel incluídas também no documento. Mas atenção, o relatório só tinha vinte e poucas páginas, e nada de exageros deste tipo de coisas. Mas nem tudo são rosas. Ao alterar o documento, tabela para cima e o sistema de referências foi ao ar, não houve "update references" que salvasse... muito se mexeu mas no final da noite andava o meu colega a fazer "find" das referências e a confirmar e actualizar à mão as ditas referências. Este é o típico exemplo de como o Word não está (duvido que alguma vez esteja) apto para realização de documentos científicos. Mas existem mais como o centramento não automático das imagens, a completa dependência do rato para a edição de fórmulas,... O Word deve ser o melhor dos WYSIWYG, mas de longe que em relação qualidade/preço, leva tareias infinitas dos seus concorrentes OpenOffice.org, GNOME suite ou KOffice, que a preço nulo revelam bem mais qualidade que os Words mais antigos (e como são software livre podem ser expandidos por quem o queira fazer). Continuo a pensar que para documentação científica, nada melhor que um ambiente não WYSIWYG mas sim WYSIWYM (what you see is what you mean) como o LATEX. Neste campo das suites Office, fico à espera do KOffice2 para ver o que o mundo da comunidade trás de inovação: um verdadeiro concorrente ao Word2007?